Vereadora Janaina Gregolin manifesta preocupação com lei anti-cio em Mato Grosso
Por: Lino Barreto; Band FM Brasnorte
Publicado em 09 de Fevereiro de 2026 as 16:58 Hrs
A vereadora Janaina Gregolin (MDB), de Brasnorte, manifestou publicamente sua preocupação com a Lei Estadual nº 12.458, conhecida como lei do anti-cio animal, sancionada pelo governador Mauro Mendes (UB), que passou a restringir a venda e a aplicação de anticoncepcionais hormonais para cães e gatos em Mato Grosso.
Segundo a parlamentar, a nova legislação determina que o medicamento só pode ser utilizado mediante consulta e prescrição de um médico veterinário, o que, na prática, dificulta o acesso da população, especialmente das famílias de baixa renda, a um dos principais métodos de controle reprodutivo de animais.
“A gente está bastante preocupado com essa lei, porque ela está proibindo a venda de anti-cio nas agropecuárias. Para poder aplicar, a pessoa precisa passar por uma consulta veterinária, e isso é quase impossível para muitas famílias que não têm condições de pagar”, afirmou a vereadora.
Janaina destacou que, quando utilizada de forma correta e conforme as orientações da bula, a medicação previne a gestação dos animais e contribui para a redução do abandono.
“Se usada com cautela, no momento certo, a anti-cio realmente previne a gestação dos animais”, explicou.
Atuante na causa animal, a vereadora informou que já iniciou diálogos com associações de proteção animal e com parlamentares estaduais para buscar a revogação ou alteração da lei.
“Já conversei com associações, com vereadores da causa animal a nível estadual, com o deputado Tiago Silva e com a deputada Janaína Riva, para que a gente possa rever essa lei no estado”, disse.
Para Janaina Gregolin, antes de impor restrições desse porte, o Estado deveria oferecer alternativas viáveis, como a implantação de castramóveis em todos os municípios.
“Antes de publicar uma lei desse nível, o governo deveria colocar um castramóvel em cada município. Aí sim, poderia suspender a venda, porque estaria oferecendo outra opção de esterilização dos animais”, defendeu.
Questionada sobre os motivos da criação da lei, a vereadora explicou que ela surgiu em razão do uso incorreto do medicamento, aplicado em momentos inadequados do ciclo reprodutivo das fêmeas.
“Muitas pessoas aplicam a injeção quando a cachorra já entrou no cio. Isso pode causar piometra, que é uma infecção grave no útero e pode levar o animal à morte”, alertou.
Segundo Janaina, veterinários procuraram o governo estadual solicitando a medida, preocupados com complicações clínicas. No entanto, ela avalia que a restrição pode gerar um efeito contrário, aumentando o número de ninhadas e, consequentemente, o abandono de animais.
“Cada cadela pode ter três, quatro, cinco filhotes, e há casos de até 13 ou 14. Como vamos controlar essa situação sem uma alternativa acessível?”, questionou.
A parlamentar também demonstrou preocupação com o impacto da lei no comércio local, já que algumas agropecuárias poderão deixar de vender o produto por não possuírem veterinário fixo, além de clínicas que já suspenderam a comercialização.
“Como vamos fazer para evitar a gestação? Prender o animal dentro de casa ou no canil? Isso gera muitos transtornos para os tutores”, pontuou.
Por fim, Janaina Gregolin afirmou que há contradições nos argumentos que associam o anti-cio a doenças graves, ressaltando que qualquer medicamento apresenta riscos quando utilizado de forma incorreta.
“Até anticoncepcionais humanos têm uma lista enorme de efeitos colaterais. Tudo depende do momento correto da aplicação: nas cadelas, a cada seis meses, antes de entrar no cio, e nas gatas, a cada quatro meses”, concluiu.
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