Dia Mundial do Autismo reforça importância do diagnóstico precoce e combate ao preconceito
Por: Lino Barreto
Publicado em 02 de Abril de 2026 as 17:18 Hrs
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 2007 com o objetivo de ampliar o acesso à informação e reduzir o preconceito contra pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios na interação social, comunicação e pela presença de comportamentos repetitivos. Apesar disso, com acompanhamento adequado, é possível promover qualidade de vida e autonomia.
Em entrevista, a pedagoga e especialista em neurociência em Brasnorte Marisa Dinis de Oliveira Alves destacou que o autismo não é uma doença, mas sim uma condição com a qual a pessoa nasce.
“O autismo é um espectro. Isso significa que a criança já nasce com essas características, não é algo adquirido ao longo da vida”, explicou.
Sinais desde o berçário
Segundo a especialista, os primeiros sinais podem ser observados ainda nos primeiros meses de vida, principalmente relacionados à interação social.
“Um bebê autista apresenta pouca interação. Muitas vezes não olha quando é chamado, não responde com sorriso ou demonstra dificuldade em interagir, diferente de outros bebês que já respondem aos estímulos desde cedo”, destacou.
Outro ponto importante é o desenvolvimento da comunicação. Algumas crianças podem demorar a falar ou apresentar dificuldades tanto na comunicação verbal quanto na não verbal.
Além disso, comportamentos repetitivos também são indicativos frequentes.
“Movimentos como se balançar, girar ou correr de um lado para o outro são formas de autorregulação, já que o cérebro da criança autista funciona de maneira diferente”, afirmou.
Níveis de suporte e evolução
O TEA é classificado em níveis de suporte (1, 2 e 3), que indicam o grau de acompanhamento necessário. Crianças com nível 3 demandam maior atenção e terapias intensivas.
No entanto, o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no desenvolvimento.
“Se essa criança for estimulada desde cedo, principalmente antes dos três anos, ela pode evoluir significativamente, reduzindo o nível de suporte e conquistando mais autonomia”, explicou.
Não é uma sentença
A especialista reforça que o autismo não tem cura, mas também não deve ser encarado como uma limitação definitiva.
“Uma pessoa autista será autista para sempre, mas pode ter uma vida normal, com independência e qualidade. Tudo depende do acompanhamento e do estímulo adequado”, pontuou.
Por fim, ela destacou o papel fundamental da família nesse processo.
“O diagnóstico não é uma sentença. Ele indica apenas que a criança precisará de mais atenção e estímulos. Com o comprometimento da família, é possível garantir uma vida tranquila e plena”, concluiu.
A data reforça a importância da informação, do respeito às diferenças e da construção de uma sociedade mais inclusiva.
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