Trump nega ter sido alertado de que Rússia teria pago recompensa por morte de soldados americanos
Segundo o New York Times, alerta dado pela Inteligência dos EUA foi ignorado pelo presidente
Por: Folha de São Paulo
Publicado em 29 de Junho de 2020 as 09:27 Hrs
O presidente Donald Trump negou neste domingo (28) ter sido alertado sobre uma suposta ação da Rússia para recompensar membros do Taleban pela morte de militares dos EUA no Afeganistão.
Uma reportagem do New York Times, publicada na sexta-feira (26), relata que Trump foi avisado sobre a questão pelo setor de inteligência dos EUA, mas nada fez.
"Ninguém avisou a mim, ao vice-presidente Mike Pence ou ao chefe de gabinete Mark Meadows sobre os tais ataques a nossas tropas no Afeganistão, como reportado por uma 'fonte anônima' ao Fake News The New York Times. Todo mundo está negando isso, e não tem havido muitos ataques a nós", publicou Trump em uma rede social. Ele pediu ao jornal que revele sua fonte.
Segundo o New York Times, o setor de Inteligência dos EUA concluiu que uma unidade militar da Rússia, relacionada a tentativas de assassinato na Europa e à interferência nas eleições americanas de 2016, ofereceu recompensas para ataques bem-sucedidos a soldados americanos no Afeganistão.
Criminosos armados ligados ao grupo terrorista também teriam recebido recompensas. Vinte americanos foram mortos em combate no Afeganistão em 2019, mas não ficou claro quais assassinatos estavam sob suspeita. O governo russo e o Taleban negam as acusações.
Neste domingo, o New York Times publicou nova reportagem com mais detalhes do caso. Segundo o jornal, funcionários da inteligência e das Forças Especiais dos EUA haviam alertado seus superiores sobre a questão já em janeiro deste ano.
As supeitas foram levantadas após a descoberta de uma grande quantidade de dólares durante uma operação em um posto avançado do Taleban.
Ainda segundo a reportagem, interrogatórios de militantes capturados fizeram com que os agentes confiassem no relato sobre a oferta de recompensas pela morte de soldados americanos.
Democratas disseram que a possível inação de Trump ao saber do caso, como indica a reportagem, é mais uma evidência de sua vontade de proteger a Rússia e agradar o presidente Vladimir Putin.
"No minuto em que o presidente ouviu algo sobre isso, ele deveria querer saber mais, em vez de negar que soubesse de qualquer coisa", disse Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados dos EUA.
Para a democrata, Trump deu presentes a Putin ao diminuir o papel dos EUA na Otan, reduzir as forças americanas na Alemanha e convidar a Rússia para voltar ao G7.
John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump, disse que o gesto do presidente é uma tentativa de se desvincular de uma situação que, se comprovada, pode se tornar uma grande crise. No entanto, ponderou que relatórios de inteligência por vezes erram.
"Isso é parte do problema com o modo que Trump toma decisões de segurança nacional. É desconectado da realidade com a qual está lidando", disse Bolton, em entrevista à CNN.
Trump e Bolton vivem um embate. O presidente tentou vetar a publicação de um livro de memórias do ex-conselheiro que conta detalhes de sua gestão.
Embora a Rússia tenha declarado o Taleban uma organização terrorista em 2003, as duas partes têm se aproximado nos últimos anos. Membros do Taleban viajaram a Moscou para negociações de paz com altas autoridades afegãs, incluindo o ex-presidente Hamid Karzai.
As conversas excluíram representantes do atual governo afegão, assim como os Estados Unidos.
O fim da guerra no Afeganistão foi uma das principais promessas de política externa da campanha de Trump, que busca se reeleger em novembro. Um acordo de paz entre os EUA e o grupo afegão foi assinado em fevereiro, mas ainda pairam dúvidas se será de fato cumprido.
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