Prefeito é cassado em MT por uso da máquina para promoção eleitoral
O prefeito e o vice de Campo Novo do Parecis foram denunciados pela Coligação É a Vez do Povo.
Por: Da Redação
Publicado em 09 de Junho de 2021 as 16:28 Hrs
Nesta terça-feira (8) foi cassado o diploma do prefeito Rafael Machado e do vice, Antonio Cesar Brolio, ambos do PSL da cidade de Campo Novo do Parecis. E foi absolvido o vereador Marcelo José Burgel (Podemos).
A sentença foi proferida pela juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, da 60ª Zona Eleitoral de Campo Novo do Parecis
A decisão deixa o prefeito e vice inelegíveis. “Julgar procedente a demanda em relação aos requeridos Rafael Machado e Antonio Cesar Brolio, devidamente qualificados nos autos e, com fundamento nos artigos 22, inciso XIV, da LC n° 64/90, e art. 74 da Lei n° 9.504/97, decretar a inelegibilidade dos investigados pelo prazo de 08 (oito) anos contados da data da eleição, com a consequente cassação dos diplomas de Rafael Machado e Antonio Cesar Brolio“, determina.
O prefeito e o vice de Campo Novo do Parecis foram denunciados pela Coligação É a Vez do Povo (PSC/MDB/DEM/PSDB/PV), representada pelos advogados Michael Graça e Rodrigo Cyrineu, pelo uso da máquina pública em ações de publicidade e propaganda .
Ele foi candidato a reeleição no ano passado e, segundo a denúncia, usou a publicidade institucional para se promover com vistas a disputa a reeleição.
Na decisão, a magistrada destaca que a publicidade institucional tem deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social e, jamais, promover gestores públicos. Porém, nos documentos apresentados pela coligação adversária, constam vídeos e materiais divulgados no portal e redes sociais da prefeitura de Campo Novo do Parecis que potencializam o nome de Rafael Machado.
“Conforme já dito alhures, o argumento da parte autora em relação a assim denominada “primeira conduta” consiste no fato de que a utilização da imagem do prefeito à época em que os vídeos foram publicados, durante os anos de 2017 a 2020, comprometeram o pleito eleitoral, desequilibrando a disputa dos demais concorrentes, pelo desvirtuamento das publicidades estatais diante do “intento eleitoreiro”, em especial do investigado Rafael Machado que almejava a reeleição”, colocou a juíza.
A juíza ainda chamou a atenção de que alguns vídeos, com notícias sobre o município e ações da prefeitura, eram apresentados justamente pelo prefeito.
Ao citar um evento de entrega de veículos para a Secretaria de Saúde, a magistrada diz que ficou claro o uso de recursos públicos para autopromoção do prefeito. “Como se vê, Rafael Machado é o apresentador da informação oficial do ente munícipe, e a todo momento enaltece a sua gestão, desacompanhado de terceiros, profere mensagem flagrantemente subjetiva que vincula os feitos do Município – no caso, a aquisição da frota de veículos para melhor a qualidade do transporte aos servidores públicos e usuários da Secretaria Municipal de Saúde – à sua imagem”, coloca.
Cláudia Anffe Cunha colocou que a postura do prefeito, ao apresentar as ações da gestão no site e nas redes sociais, é de que permaneceu em um “palanque eleitoral” durante seu primeiro mandato. Ela citou que um dos princípios da publicidade institucional é a “impessoalidade”, ou seja, não deve promover nenhuma pessoa.
“À luz de todos os elementos expostos, dúvida não há que os vídeos e reportagens veiculados nas páginas oficiais do Município de Campo Novo do Parecis, promoveu a imagem do investigado Rafael Machado, ao se apresentar diretamente, aliás, em muitas ocasiões, de forma exclusiva, vangloriando suas ações, apresentando as conquistas do seu governo, com relação à saúde, com a aquisição de ambulâncias, de aparato para segurança pública, como por exemplo na doação de veículo para a Policia Militar, dentre outras “conquistas”, e ainda anunciou outros ‘grandes projetos’, como o de asfaltamento no Bairro Jardim das Palmeiras como se estivesse em plena campanha eleitoral“, pontuou.
“Nota-se que a propaganda institucional serviu de instrumento para que o administrador público Rafael Machado promovesse seu próprio nome nas eleições de 2020. Assim agindo, o investigado desrespeitou aos ditames da impessoalidade e da moralidade com finalidade eleitoreira, e violou não somente a probidade administrativa, mas também a lisura do pleito municipal daquele ano, atingindo a isonomia entre os candidatos“, completou a magistrada.
Em relação ao vice-prefeito, a juíza colocou que ele foi beneficiado pelas atitudes ilegais de Rafael Machado, apesar de não ter ocupado nenhum cargo na gestão passada. “Com efeito, não obstante ao fato de o requerido Antonio Brolio não ter tido qualquer ingerência sobre os fatos configuradores do abuso de autoridade ora analisado, a imputação da prática atingi-lhe pela própria disposição legal – candidato beneficiado – e, desse modo, impõe-se a aplicação das sanções legais”.
Sobre o vereador Marcelo Burgel, a juíza diz que não houve benefício próprio na conduta dele. Sua ação, segundo a magistrada, teria beneficiado apenas o prefeito. “Em suma, se realmente a conduta do requerido Marcelo Burgel se restringiu às gravações dos vídeos que instruem a inicial, o que não foi devidamente demonstrado, não há potencialidade de influir os eleitores ou que tenha favorecido a campanha do investigado em detrimento dos demais candidatos a vereadores deste município, de maneira que a improcedência da ação em relação ao requerido Marcelo Burgel é medida imperativa”, assinalou.
A decisão é de 1ª instância e o prefeito deve permanecer no cargo até julgamento do recurso junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT).
- COMENTÁRIOS
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
09:58
Câmara de Juína devolve um dos menores valores dos últimos cinco anos
Com mais recursos, Legislativo gasta mais e devolve menos que na gestão anterior
14:19
TCE-MT suspende contratos milionários da Prefeitura de Brasnorte por indícios de irregularidades
Decisão do conselheiro Waldir Teis aponta risco de dano ao erário, superfaturamento e descumprimento de determinações anteriores; pagamentos à empresa já somam R$ 10,3 milhões
13:34
Mais de 180 mil empresas estão inadimplentes e podem ficar fora do Simples Nacional em 2026
Contribuintes devem regularizar as pendências e fazer adesão ao regime tributário até 30 de janeiro
13:26
Escolas ficam abertas nas férias e pais ainda podem garantir matrícula para 2026
Rede estadual ainda tem 25.406 vagas disponíveis; confirmação da Matrícula Web segue até 9 de janeiro
13:11
Fechamento do Colégio São Gonçalo em Colniza gera revolta
Muitos pais foram pegos de surpresa e alguns souberam por terceiros sobre o fechamento da instituição
17:52
Desinformação atrasa o sonho da casa própria para mais de 400 famílias em Aripuanã
Mesmo com o financiamento aprovado, as famílias deixam de concluir a compra; empreendimento tem apenas 45 unidades disponíveis
09:26
Alta do aluguel no Brasil reforça importância da casa própria em Aripuanã
Dados da FGV indicam pressão contínua sobre os preços de contratação em 2026
12:02
'Anaconda': Nem humor certeiro de Selton Mello salva homenagem tosca a filme original
Brasileiro se destaca com papel secundário, mas não compensa limitações da comédia estrelada por Jack Black e Paul Rudd que estreia nesta quinta-feira (25) no país.
11:45
Lula sanciona porte de arma para policiais legislativos dos estados e do DF
Com sanção presidencial, autorização passa a valer para toda a polícia legislativa do país; policiais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal já possuem autorização
11:21
Dieese: Novo mínimo impactará em R$ 39,1 bi contas da previdência em 2026
Piso salarial no país passará a R$ 1.621, resultado de um reajuste nominal de 6,79%
MAIS LIDAS
TCE-MT suspende contratos milionários da Prefeitura de Brasnorte por indícios de irregularidades
Fechamento do Colégio São Gonçalo em Colniza gera revolta
Câmara de Juína devolve um dos menores valores dos últimos cinco anos
Mais de 180 mil empresas estão inadimplentes e podem ficar fora do Simples Nacional em 2026
Escolas ficam abertas nas férias e pais ainda podem garantir matrícula para 2026





