Empresário de Brasnorte alerta para risco de escassez de diesel e gasolina no estado
Por: Lino Barreto
Publicado em 13 de Março de 2026 as 18:14 Hrs
A possibilidade de desabastecimento de combustíveis no Brasil já começa a preocupar empresários do setor. Em entrevista à Band FM Brasnorte, o empresário Kleberson André Hepp, sócio-proprietário da rede Postos Happy, com unidades em Brasnorte, Campo Novo do Parecis e Juína, alertou para os impactos que a instabilidade no Oriente Médio pode provocar no mercado de combustíveis no país e, principalmente, no estado de Mato Grosso.
Segundo ele, há indícios de que a cadeia de abastecimento já começa a apresentar sinais de dificuldade, o que pode refletir diretamente no fornecimento de gasolina e diesel nos próximos meses.
“O Brasil não é autossuficiente na demanda de combustível. Nós exportamos petróleo, mas ainda dependemos de combustíveis que vêm de outros países”, afirmou.
Dependência do mercado internacional
De acordo com o empresário, boa parte do combustível consumido no Brasil é importado de diversos países produtores de petróleo. Entre eles estão nações do Oriente Médio e outras regiões estratégicas do mercado energético mundial.
“Grande parte do combustível que utilizamos vem de fora, de países como Rússia, Irã, Arábia e outros lugares do mundo. O problema é que esse produto não está chegando às distribuidoras brasileiras como deveria”, explicou.
Segundo Kleberson, essa redução no volume de combustível disponível no mercado internacional acaba afetando diretamente as distribuidoras no Brasil.
“O país possui várias distribuidoras de petróleo, mas o combustível não está chegando normalmente. Isso acaba gerando preocupação em toda a cadeia de abastecimento”, destacou.
Distribuidoras recorrem à Petrobras
Com a dificuldade de importação, muitas distribuidoras têm buscado alternativas dentro do próprio mercado nacional. De acordo com o empresário, a principal saída tem sido recorrer à Petrobras para tentar garantir o abastecimento.
No entanto, segundo ele, a estatal não possui capacidade suficiente para atender toda a demanda das distribuidoras ao mesmo tempo.
“As distribuidoras estão indo diretamente à Petrobras para tentar retirar o produto. O problema é que a Petrobras não tem capacidade de atender todas ao mesmo tempo. É aí que surge o gargalo”, afirmou.
Essa situação, segundo ele, acaba impactando diretamente no preço final dos combustíveis.
Lei da oferta e da procura
Kleberson explica que o mercado de combustíveis segue a lógica econômica básica da oferta e da procura.
Quando há menos produto disponível no mercado, o preço tende a subir. Por outro lado, quando existe grande oferta, o valor costuma cair.
“Se não tem diesel no mercado, o preço sobe. Se tem diesel em excesso, o preço abaixa. É a lei da oferta e da procura”, disse.
De acordo com o empresário, novos reajustes já começaram a ocorrer no setor.
“Hoje mesmo já foi anunciado um novo aumento no combustível”, pontuou.
Redução de imposto não teve efeito prático
Outro ponto citado pelo empresário durante a entrevista foi a recente medida envolvendo impostos sobre combustíveis.
Segundo ele, apesar do anúncio de redução tributária, o consumidor final não percebeu diferença significativa no preço.
“Ontem anunciaram uma redução de cerca de 38 centavos no imposto, mas o combustível acabou subindo praticamente o mesmo valor. Na prática, ficou tudo igual”, explicou.
Para Kleberson, essa situação mantém o mercado com as mesmas dificuldades enfrentadas anteriormente.
Período de safra aumenta consumo de diesel
O empresário também destacou que o momento atual do agronegócio brasileiro aumenta ainda mais a preocupação com o abastecimento.
Isso porque o país vive o período de safra e plantio, quando a demanda por diesel cresce significativamente, principalmente em estados com forte produção agrícola, como Mato Grosso.
“Estamos em período de safra e plantio, quando o consumo de diesel aumenta muito para atender máquinas agrícolas e transporte de grãos”, afirmou.
Segundo ele, alguns estados já enfrentam dificuldades no abastecimento.
“Já existem relatos de falta de combustível no Rio Grande do Sul. Então não sabemos exatamente o que pode acontecer nos próximos dias”, alertou.
Etanol deve manter abastecimento
Apesar da preocupação envolvendo gasolina e diesel, o empresário acredita que o cenário para o etanol é mais tranquilo, principalmente em Mato Grosso.
Isso porque o biocombustível é produzido na própria região.
“O etanol não deve faltar, porque ele é produzido aqui perto, em regiões como Campo Novo do Parecis, Nova Olímpia e Barra do Bugres”, explicou.
Segundo ele, as usinas possuem estoques e capacidade produtiva para atender o mercado regional.
“Só poderia haver problema se faltasse diesel para as usinas produzirem, mas elas têm estoque e produção própria”, disse.
Cenário ainda é incerto
Mesmo com algumas garantias em relação ao etanol, o empresário reforça que o cenário envolvendo gasolina e diesel ainda é incerto e depende de diversos fatores internacionais.
Para ele, os próximos dias serão decisivos para entender como o mercado vai reagir.
“Escassez de gasolina e diesel certamente pode acontecer. Precisamos acompanhar os desdobramentos do mercado e da situação internacional”, concluiu.
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