Vereadores de Juína querem turbinar o caixa da Câmara: quem paga a conta?
A pergunta que fica é: quem os vereadores querem agradar?
Por: Repórter em Ação
Publicado em 23 de Setembro de 2025 as 17:34 Hrs
OPINIÃO!
Não é de agora que a Câmara Municipal de Juína parece agir ao bel prazer, como se os cofres públicos fossem uma extensão de seus interesses políticos. Nesta semana, mais uma vez, os vereadores protagonizam uma série de propostas polêmicas, de forte impacto sobre a vida do cidadão comum — aquele que paga a conta.
“Não existe dinheiro público; existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”, dizia Margaret Thatcher. A frase cai como uma luva diante do cenário atual.
Projeto 01: Um duodécimo turbinado
O primeiro projeto quer aumentar em mais de R$ 1,8 milhão o valor do duodécimo repassado pela prefeitura, elevando a cifra para mais de R$ 9 milhões anuais.
Para se ter ideia do salto, em 2009 o repasse era de R$ 1,6 milhão; hoje já passa dos R$ 6,4 milhões. Em 2024, a Câmara devolveu quase R$ 2 milhões ao Executivo — dinheiro que não foi gasto. Agora, sob o pretexto de “adiantamento de numerário”, pretende-se engordar ainda mais o caixa legislativo.
O problema é que o orçamento municipal já está apertado: receitas e despesas praticamente se igualam. Se aprovado, o caixa da Câmara será maior que o da Secretaria de Esportes (R$ 8,7 milhões), empatando com o DAES (R$ 9,1 milhões) e quase dobrando o da Agricultura (R$ 5,6 milhões).
Projeto 02: Emendas impositivas de R$ 400 mil para cada vereador
Outro ponto explosivo é a tentativa de incluir na Lei Orgânica do município a figura das emendas impositivas, que destinariam 2% da receita corrente líquida — cerca de R$ 5,2 milhões ao ano. Na prática, cada vereador teria R$ 400 mil garantidos para indicar onde gastar.
O prefeito ficaria obrigado a executar as indicações, sob risco de crime de responsabilidade. Isso engessaria a gestão e comprometeria investimentos essenciais, transformando o orçamento em uma arena de barganhas políticas.
Projeto 03: Mais diárias para viagens
Atualmente, cada vereador de Juína pode utilizar até 20 diárias por ano, no valor de R$ 650,00 dentro do estado e R$ 900,00 fora do estado. A nova proposta eleva para 30 diárias anuais.
E não é por acaso: um levantamento apontou que o presidente da Câmara, Aélcio Moreira (Neguinho Borracheiro), já teria usado 47 diárias até setembro deste ano. Ao que tudo indica, o excesso acendeu o desejo dos demais parlamentares de também aumentar seus privilégios.
Projeto 04: Reeleição para a Mesa Diretora
Por fim, a Câmara debate a mudança na Lei Orgânica permitindo a reeleição para a Mesa Diretora. Antes, o presidente só podia exercer um mandato de 2 anos sem possibilidade de recondução. Com a alteração, Neguinho poderá se candidatar novamente e permanecer no comando por mais 2 anos.
O mais grave não é apenas a natureza das propostas, mas o silêncio de parte dos vereadores diante de medidas que claramente não atendem ao interesse coletivo. Como destacou o jornalista Bil Luiz em entrevista à Band FM, é uma escolha entre agradar a população que elegeu cada parlamentar ou manter a “boa convivência” dentro da Casa.
Juína vive um momento crítico em que a Câmara parece mais preocupada em turbinar seus próprios cofres do que em zelar pelo dinheiro público. Se aprovados, os projetos podem engessar a administração, reduzir investimentos em áreas essenciais e reforçar a imagem de um Legislativo distante da realidade do cidadão.
A pergunta que fica é: quem os vereadores querem agradar? A população que paga impostos ou a si mesmos?
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