Psicologia ganha espaço na rotina e ajuda a compreender emoções e comportamentos
Profissional destaca mudanças na percepção sobre a terapia, sinais que merecem atenção.
Por: MATHEUS PEREIRA / Repórter em Ação
Publicado em 28 de Agosto de 2026 as 13:34 Hrs
A busca por cuidados com a saúde mental tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade. O que antes era cercado por preconceitos e até vergonha, hoje passa a ser encarado como uma ferramenta de autoconhecimento e de busca pelo equilíbrio emocional.
A avaliação é da psicóloga Carine Silvestrim, que atua na área há 12 anos. Segundo ela, a própria rotina acelerada da sociedade tem contribuído para o aumento de dificuldades emocionais e reforçado a importância do acompanhamento psicológico.
Carine explica que transtornos de ansiedade e depressão estão entre os quadros mais encontrados na prática clínica. Para ela, a psicologia auxilia o paciente a compreender a relação entre pensamentos, comportamentos e as dores emocionais, utilizando diferentes abordagens psicoterapêuticas.
Terapia deixou de ser vista como motivo de vergonha
De acordo com a profissional, uma das principais mudanças observadas nos últimos anos foi a forma como a sociedade passou a enxergar a psicoterapia.
Ela lembra que, no início da carreira, era mais comum que as pessoas tivessem vergonha de dizer que faziam terapia. Esse cenário, segundo Carine, mudou significativamente, principalmente após a pandemia, quando o isolamento social contribuiu para ampliar a procura por atendimento psicológico.
Com a maior divulgação da psicoterapia, as pessoas passaram a conhecer melhor o processo, reduzir preconceitos e compartilhar experiências positivas.
Quando é hora de procurar ajuda?
Nem toda tristeza, ansiedade ou frustração significa necessariamente que uma pessoa esteja enfrentando uma desordem emocional. Segundo a especialista, emoções fazem parte da experiência humana e são importantes para o desenvolvimento.
O sinal de alerta está principalmente na intensidade e na duração dessas emoções.
Insônia, alterações significativas no apetite, compulsões, necessidade excessiva de controle, comportamentos exagerados e frustrações desproporcionais às situações vivenciadas são alguns dos exemplos citados pela psicóloga.
Ela ressalta ainda que a psicoterapia não deve ser procurada somente quando existe um problema emocional. O acompanhamento também pode funcionar como um processo de autoconhecimento.
Crianças e adolescentes exigem atenção
Outro ponto destacado pela psicóloga é o cuidado com interpretações precipitadas sobre comportamentos de crianças e adolescentes.
Com a grande quantidade de informações disponíveis nas redes sociais, Carine alerta para o crescimento de diagnósticos feitos de maneira informal. Segundo ela, nem todo comportamento considerado diferente representa necessariamente uma desordem emocional.
Dificuldades de aprendizagem, problemas de socialização e comportamentos desafiadores, entretanto, devem ser observados pelos responsáveis. A depressão também pode aparecer durante a infância e adolescência e apresentar manifestações diferentes das observadas em adultos.
A profissional chama atenção ainda para a superestimulação. Segundo ela, crianças precisam também de momentos de ócio, que contribuem para o desenvolvimento da criatividade e para o aprendizado de como lidar com frustrações e emoções.
Redes sociais e a busca constante por estímulos
A relação entre tecnologia e saúde mental também foi abordada durante a entrevista.
Carine destaca a grande quantidade de informações disponibilizadas pelas redes sociais e o acesso cada vez mais precoce de crianças e adolescentes a esses conteúdos.
Ela explica que plataformas baseadas em vídeos curtos e conteúdos sucessivos podem manter o usuário constantemente estimulado. A liberação rápida de dopamina associada a esses estímulos pode contribuir para um comportamento de busca contínua por novas informações e sensações.
Para a psicóloga, o problema não está na existência das emoções ou da tecnologia, mas na intensidade e na frequência com que determinados estímulos são recebidos.
Procurar ajuda não precisa ser motivo de vergonha
Ao falar sobre pessoas que enfrentam momentos emocionalmente difíceis, Carine reforça que ninguém precisa passar por essas situações sozinho.
Segundo ela, Juína conta com profissionais capacitados tanto na rede pública quanto na privada, preparados para acolher e auxiliar quem busca atendimento.
A psicóloga destaca que procurar ajuda representa também uma oportunidade de compreender melhor os próprios sentimentos, comportamentos e experiências, contribuindo para a construção de uma vida com maior equilíbrio emocional.
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