Em vitória de Lula, Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 e trabalhador terá dois dias de folga por semana
Mudança na Constituição deve ser promulgada na próxima semana, a dias da eleição; PL cede e vota a favor da mudança.
Por: G1
Publicado em 15 de Outubro de 2026 as 08:54 Hrs
O Senado aprovou nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e garante dois dias de folga por semana para o trabalhador sem diminuição do salário.
A proposta foi aprovada por 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contrário à proposta.
A 11 dias do segundo turno, a aprovação da PEC por ampla maioria é uma vitória para o presidente Lula (PT), que transformou o tema em bandeira de campanha.
Como é uma mudança constitucional, a proposta precisa ser aprovada por no mínimo 49 senadores em dois turnos.
A PEC do fim da jornada 6x1 altera a Constituição para diminuir as horas de trabalho semanais de 44 para 40 horas. Também estabelece que é necessário garantir dois dias de folga remunerada, um deles preferencialmente aos domingos.
A grande mudança é garantir que os trabalhadores tenham dois dias de descanso semanal sem a possibilidade de redução salarial.
A oposição ao governo Lula tentou alterar a PEC do fim da 6x1 para retirar redução de jornada proporcional para trabalhadores que hoje já trabalham menos de 40 horas por leis específicas. A emenda, no entanto, foi retirada após acordo.
Período de transição
Para que os trabalhadores brasileiros cheguem às 40 horas semanais com dois dias livres, haverá um período de transição.
A PEC ainda precisa ser promulgada para entrar em vigor. Depois disso, segue o seguinte calendário:
em dois meses, redução da jornada semanal para 42 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado;
em um ano após esses dois meses, redução da jornada semanal para 40 horas.
A mudança não será aplicada para trabalhadores com ensino superior que ganhem por mês mais de 2,5 vezes o teto do INSS, ou seja, quem ganhe mais de R$ 21.188 por mês.
Votação após articulação do governo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) abriu a sessão desta quarta-feira dizendo que a votação depois do primeiro turno cumpre o acordo feito com senadores. Alcolumbre afirmou ainda que cada senador deveria votar conforme sua consciência.
"Neste momento, milhões de trabalhadoras e trabalhadores acompanham esta sessão com esperança. São pessoas que conhecem, na própria rotina, o valor de um dia a mais de descanso", disse o presidente do Senado.
A sessão contou principalmente com discursos a favor da mudança na escala de trabalho. Um senador que foi aplaudido foi Paulo Paim (PT-RS), que defende há anos a redução da jornada para 40 horas.
Paim se aposenta da vida pública no fim de 2026 e já havia dito que queria votar essa matéria antes de deixar o Senado.
"Vamos entrar para a história de cabeça erguida", disse ele. "Aqui eu só tenho a dizer a todos vocês, ao povo brasileiro que foi às ruas em todos os estados, eu termino só dizendo a vocês que o Congresso, este Senado, só tem que dizer: gratidão, gratidão, gratidão e gratidão!"
Por outro lado, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), criticou o que ele chamou de falta de dados para entender os impactos nos setores econômicos. Mas disse que um eventual governo de Flávio Bolsonaro pode corrigir isso.
"O que a gente pode fazer no futuro, no governo Flávio, que será nosso presidente, é mitigar trazendo instrumentos que a gente já viveu no governo Bolsonaro", disse o líder do PL.
Já o senador Valderlan Cardoso (PSD-GO) disse ser favorável à PEC, mas criticou a votação em momento eleitoral.
"Esse tema passou meses sendo tratado como pauta de campanha. Foi adiado ou apressado por cálculo eleitoral. Atacado e defendido como conveniência do calendário das urnas", disse o parlamentar. "Fico indignado com este tipo de situação. Quando um tema de interesse nacional vira disputa de palanque, o Brasil perde".
Tema na eleição
A votação representou uma vitória do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apoiadores do petista buscavam desde a semana passada acelerar o processo para aprovar a mudança na escala de trabalho antes do segundo turno das eleições presidenciais.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados falaram abertamente contra a PEC. O candidato do PL defende uma proposta alternativa de pagamento por horas. Nesse modelo, o trabalhador só receberia pela hora trabalhada e poderia ter seu salário diminuído de forma proporcional.
Com o tema ganhando tração na campanha eleitoral e com cobranças públicas de Lula, na terça-feira (13), Flávio afirmou que se posicionaria “conforme a vontade da maioria do povo”.
O senador e candidato a presidente no entanto, não compareceu ao Senado nesta quarta-feira e votou à distância.
O PL liberou a bancada para cada senador votar como desejava enquanto falam em mudanças depois das eleições.
Lula ironizou a mudança de Flávio, que para ele só ocorreu pela pressão da sociedade. “Eu, de vez em quando, fico pensando: se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, disse o presidente.
- COMENTÁRIOS
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
09:53
Prazo para solicitar vagas nas escolas da rede estadual de MT termina nesta sexta-feira (16)
Seduc ainda tem 36,2 mil vagas disponíveis para o ano letivo de 2027; pedido pode ser feito pela internet ou presencialmente.
09:08
Brasnorte: candidata é eliminada após apresentar foto 3x4 considerada produzida por IA
Outra candidata também teve a inscrição indeferida por apresentar fotografia com manchas de bolor, umidade e falhas digitais
17:33
Polícia Militar localiza três pessoas desaparecidas no município de Tangará
Entre as vítimas, está um policial militar encontrado sem vida, em região de mata
17:26
Mato Grosso entrega 5,1 mil escrituras de imóveis em 2026
Desde 2019, mais de 27 mil famílias receberam documentos definitivos; moradores relatam o fim de esperas que duraram décadas
16:57
Fim da escala 6x1: veja o que pode mudar e quais profissões devem ser afetadas
Votação da PEC em primeiro turno no plenário do Senado acontece nesta quarta-feira
10:23
Nexa encerra SIPATMIN em Aripuanã com evento para a comunidade
A comissão organizadora percorreu todas as áreas operacionais da unidade e finalizou as ações com uma noite especial de integração com a comunidade na Praça do Residencial Dardanelos.
17:57
Modernização da Feira do Produtor do Centro em Tangará
A execução do projeto prevê um montante total de cerca de R$ 1,9 milhão
17:32
6º edição do Circuito da Alegria reúne famílias em uma celebração de sorrisos, brincadeiras e solidariedade em Tangará
Entre brincadeiras, apresentações e momentos de confraternização, a programação celebrou a infância e todo o brilho deste mundo encantado
17:28
Campanha registra o canal "Exército do Lula" no TSE
Presidente do TSE, Kássio Nunes, derrubou o canal pela segunda vez
14:02
Comarca de Brasnorte divulga resultado para Serviço Social e revoga reabertura para Psicologia
A decisão consta no Edital nº 005/2026-DF-BRA, publicado no Diário da Justiça Eletrônico de sexta-feira (9).
MAIS LIDAS
Brasnorte: candidata é eliminada após apresentar foto 3x4 considerada produzida por IA
Fim da escala 6x1: veja o que pode mudar e quais profissões devem ser afetadas
Modernização da Feira do Produtor do Centro em Tangará
Polícia Militar localiza três pessoas desaparecidas no município de Tangará
Nexa encerra SIPATMIN em Aripuanã com evento para a comunidade
Campanha registra o canal "Exército do Lula" no TSE
6º edição do Circuito da Alegria reúne famílias em uma celebração de sorrisos, brincadeiras e solidariedade em Tangará



